Na curta história do nosso país aprendemos que quando os descobridores chegaram ao Brasil e resolveram tomar posse da terra descoberta criaram o que se costumou chamar de Capitanias Hereditárias. O tempo passou, o Brasil deixou de ser um pedaço de terra de um país colonizador e obteve a sua independência de Portugal. Entretanto, mesmo tendo sido declarada a independência e mais tarde a República, alguns recantos do país ainda viviam como na época da colônia, da escravidão. O tempo se passou, alguns presidentes foram eleitos, algumas vilas tornaram-se cidades e foi decidido que o Rio de Janeiro seria a Capital Federal pós-republicana.
Observando-se mais de perto alguns recantos do nosso país na década de 1960 ainda se percebiam resquícios desta colonização portuguesa e da maneira de pensar dos senhores de engenho. As pessoas eram obrigadas a seguir as regras e a forma de pensar, os desejos dos senhores da maior parte das terras. Os cidadãos, embora livres adquiriam seus bens de consumo nos mesmos armazéns dos antigos senhores de engenho, até por falta de opção. Quando se deu o direito ao voto, eles também eram obrigados a votar nos candidatos indicados pelos donos da maioria das terras na região. Ainda hoje, este fenômeno acontece.
Difícil foi acreditar que tão próximo a São Paulo, capital do maior estado produtor, aquele mesmo estado que ainda detém a maior parcela do PIB brasileiro, isso aconteça em 2010. Pois bem! Ainda hoje, em 2010, na época das eleições é o prefeito, substituto do alcaide nomeado por Portugal, é quem indica em quem o povo deve votar. Aliás, não só isso! É o prefeito quem decide se o cidadão faz parte da comunidade e pode freqüentá-la sem problemas ou se terá que enfrentar a prefeitura e suas ações, no sentido de eliminar toda e qualquer "oposição" que se faça contra as decisões do executivo municipal. Quem não reza pela cartilha do prefeito e não lambe suas botas não é digno de pertencer à sociedade dos homens justos. Pelo menos é o que o grupo auto-intitulado G10 pensa.
Esquece-se o prefeito que ele não é mais o dono das terras e das decisões. Engana-se se pensa que esta cidade, este município, é a sua Capitania Hereditária. Ele tem prazo de validade! Dentro de pouco tempo, menos do que já se passou, as urnas dirão quem irá assumir o novo posto de prefeito municipal. Com toda certeza, aqueles que tiverem um mínimo de lucidez e independência, não irão mais depositar seus votos em alguém que os trata de mentirosos. As pessoas, Exmo. Sr. Prefeito, têm o direito a ter opiniões diferentes da sua. Os munícipes não são todos obrigados a concordar com a sua opinião, seja ela política, seja religiosa ou qualquer outra. Lembre-se que o Exmo. já teve uma maioria esmagadora de votos em eleições passadas e que na última, realizada em 2008, ganhou com uma margem que pode ser considerada ridícula por alguém que já tinha sido prefeito por 2 vezes e depois disso Deputado Federal. Da maneira desrespeitosa com o Exmo. trata a população do município, achando-se ainda senhor de engenho ou alcaide do colonizador, seu fim será triste! O senhor estaria fadado ao esquecimento não fosse o painel que ostenta sua figura no hall de entrada da Câmara Municipal.
É assim que os blogs escritos por este cidadão brasileiro, apto a votar, em dia com TODAS as suas obrigações, se iniciam.
Com toda certeza alguns estão se perguntando: "Mas de que lugar, cidade, estará este cidadão falando?" Pois bem, estou falando de Santana de Parnaíba, São Paulo, Berço dos Bandeirantes, uma cidade histórica, a pouco mais de 20 Km do centro de São Paulo. É exatamente aqui, nesta cidade, que estes blogs se iniciam para mostrar um pouco do que se passa no "interior".
Até o próximo!
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